sem comentários ainda

TRABALHO, BENÇÃO OU MALDIÇÃO?

A famosa frase “não existe trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar”, molda a visão de muitos nos dias atuais. Esse pensamento reflete o significado etimológico, pois o verbo “trabalhar” é proveniente do latim vulgar tripaliar: torturar com o tripalium. Este é derivado de tripalis, cujo nome é proveniente da sua própria constituição gramatical: três & palus (pau, madeira, lenha, estaca), que significava o instrumento de tortura de três paus e que também servia para “ferrar os animais rebeldes”. Esse tipo de pensamento gerou a cultura de que o trabalho é coisa ruim. Aliás, até 1517, o pensamento preponderante, era considerar o trabalho como consequência da maldição do pecado cometido por Adão. A sociedade feudal por exemplo desvalorizava o trabalho, dividindo a estrutura social do feudo em Senhor Feudal; os que oravam; os que guerreavam e os que trabalhavam, sendo estes últimos os menos valorizados. Todavia a Reforma Protestante de 1517 resgatou o conceito bíblico do trabalho. Martinho Lutero foi preciso quando, ao traduzir o Novo Testamento para o alemão, utilizou a palavra beruf em vez de arbeit para referir-se ao trabalho, dando ênfase no sentido de trabalho como vocação.

Realmente quando olhamos para as Escrituras percebemos que o trabalho é benção de Deus, pois o próprio Deus trabalhou ao criar o mundo em seis dias e descansar no sétimo e o próprio Jesus disse: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (Jo 5.17). Deus dignificou o trabalho ao ordená-lo ao homem mesmo antes da queda: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra”. (Gn 1.28) e ao inseri-lo entre os dez mandamentos: “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou”. (Êx 20.9-11).

De modo que concordo com John Stott quando define trabalho como “o gasto de energia (manual, mental ou ambas) no serviço aos outros, que traz realização para o trabalhador, benefício para a comunidade e glória para Deus”. Evidentemente que o trabalho pode se tornar uma maldição quando realizado para fins ilícitos, quando passa ser o centro da vida e quando a sua motivação é apenas o lucro.

Rev. Thiago de Souza Dias

Publicar um comentário